O Jornalista e o Assassino, de Janet Malcolm » “Qualquer jornalista que não seja demasiado obtuso ou cheio de si para perceber o que está acontecendo sabe que o que ele faz é moralmente indefensável. Ele é uma espécie de confidente, que se nutre da vaidade, da ignorância ou da solidão das pessoas. Tal como a viúva confiante, que acorda um belo dia e descobre que aquele rapaz encantador e todas as suas economias sumiram, o indivíduo que consente em ser tema de um escrito não ficcional aprende - quando o artigo ou livro aparece - a sua própria dura lição. Os jornalistas justificam a sua própria traição de várias maneiras, de acordo com o temperamento de cada um. Os mais pomposos falam de liberdade de expressão e do ‘direito do público a saber’.; os menos talentosos falam sobre a Arte; os mais decentes murmuram algo sobre ganhar a vida.”

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Assim Janet Malcolm abre o livro, no qual faz uma reflexão sobre a relação entre o repórter e o entrevistado enquanto disseca o caso do médido Jeffrey MacDonald (o assassino) e de Joe McGinniss (o jornalista). Confesso que ouvi falar primeiro no livro, neste ano, em meio a um buzz - acho porque a Cia. das Letras lançou essa versão de bolso, que custou R$ 21 na Cultura -, mas ontem mesmo encontrei uma lista de must-read que algum professor da faculdade nos passou e lá estava O Jornalista e o Assassino. Leia mais aqui.

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Há anos, li outro livro de Janet Malcolm: A Mulher Calada - Sylvia Plath, Ted Hughes e os Limites da Biografia. Foi uma baita aula. Revirei meu quarto em busca dele agora, para reler, mas não o encontrei. Focava Amarga Fama, de Anne Stevenson, a principal biografia sobre a poetisa americana (a qual li após A Mulher Calada). A ideia que ficou mais forte em mim foi que Anne escreveu o livro “com os olhos da família de Ted Hughes sobre seus ombros” - ou seja, com uma visão parcial, sendo controlada (Sylvia Plath se suicidou, mas surgiram controvérsias sobre o que a levou a isso. Por exemplo, as feministas odeiam Ted Hughes, seu ex-marido - mas Sylvia nunca foi uma feminista). Espero reencontrá-lo!